Mutações e salto em transmissão levam OMS a convocar reunião de emergência – 14/01/2021


A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou para esta quinta-feira uma reunião de seu comitê de emergência diante do salto sem precedentes no número de novos infectados pela covid-19 e diante do surgimento de diferentes mutações do vírus, com maior capacidade de transmissão.

O comitê se reúne apenas a cada três meses. Mas, numa carta, o diretor-geral Tedros Ghebreyesus, indicou que questões “urgentes” exigiam o novo encontro. A meta será a de buscar respostas sobre a situação das novas cepas e tentar desenhar novas medidas.

Num comunicado, a OMS indicou que a reunião iria “considerar problemas que precisam de uma discussão urgente”. Entre elas estão as “recentes variantes e o uso da vacinação e certificados de testes para viagens internacionais”.

A reunião ainda ocorre no momento em que a OMS registra um número recorde de casos por semana – 5 milhões de casos – e um total que se aproxima a 100 milhões de infectados e 2 milhões de mortes.

Os especialistas ainda promovem o encontro diante da identificação da nova mutação em cerca de 50 países e no momento em que governos europeus se apressam para ampliar medidas de restrição.

Mutações identificadas no Reino Unido e África do Sul estarão entre os temas avaliados pela OMS. Em seu último informe semanal, a OMS também mencionou o caso da variante identificada no Brasil e como ela teria sido identificada no Japão. Tóquio, porém, deixa claro que não existem sinais de que a mutação tenha deixado o vírus mais letal.

Mas, para a OMS, há uma possibilidade de um impacto na capacidade de transmissão. “Em 9 de janeiro, o Japão notificou a OMS sobre uma nova variante do SARS-CoV-2 dentro da linhagem B.1.1.28 detectada em quatro viajantes que chegavam do Brasil”, indicou o informe da agência internacional. “Esta variante tem 12 mutações para a proteína, incluindo três mutações em comum com VOC 202012/01 e 501Y.V2, ou seja: K417N/T, E484K e N501Y, que podem impactar a transmissibilidade e a resposta imune”, alertou a OMS.

“Pesquisadores no Brasil relataram adicionalmente o surgimento de uma variante similar também com uma mutação do E484K, que provavelmente evoluiu independentemente da variante detectada entre os viajantes japoneses. A extensão e o significado para a saúde pública dessas novas variantes requerem investigação adicional”, admitiu a agência.

Reino Unido poderá proibir voos do Brasil para contar nova mutação

A OMS ainda irá tentar estabelecer critérios e recomendações para determinar proibições de voos e exigências de certificados de vacinação ou de testes para quem quiser viajar.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, poderá anunciar ainda nesta quinta-feira uma proibição para a chegada de voos do Brasil, num esforço de conter a chegada de uma nova variante do virus da covid-19.

Numa reunião nesta quarta-feira, o chefe de governo em Londres indicou que novas restrições de viagem poderiam ser impostas. Seu país vive a mais intensa onda de contaminações desde o início da pandemia e, apesar de mais um lockdown, os dados revelam um número recorde de mortos nas últimas 24 horas.

A coluna confirmou com diplomatas brasileiros que, de fato, o governo acompanha com atenção o que ocorre em Londres e que está ciente da possibilidade de uma interrupção de voos.

Sob forte pressão diante de uma das piores crises em décadas, Johnson foi questionado pela deputada Yvette Cooper, da oposição, numa reunião no Parlamento. Ela insistiu em saber por qual motivo o governo mantinha a autorização de viagens ao Brasil, mesmo depois de uma variante do vírus ter sido identificada no país e em brasileiros que desembarcaram no Japão.

“Você foi avisado sobre a variante do Brasil há três dias. Ainda não sabemos se essa variante poderia prejudicar o programa de vacinação. Por que você não está tomando medidas imediatas, com base na precaução”? perguntou Cooper.

O primeiro-ministro justificou que medidas já estão sendo tomadas. “Nós estamos: estamos colocando medidas extras para garantir que as pessoas vindas do Brasil sejam controladas: e de fato impedindo as pessoas vindas do Brasil”, indicou, sem dar detalhes.

O comitê de especialistas do governo que lida com a pandemia, conhecido como Nervtag, se debruçou no tema da variante brasileira em sua última reunião, no início da semana.

Uma proibição, apenas poderia ocorrer depois de uma decisão do comitê ministerial, com reunião marcada para esta quinta-feira.

Cooper insistiu se Londres estava considerando banir os voos. Mas Johnson apenas repetiu que o governo estava “tomando medidas”.

“Estamos tomando medidas para deter a variante brasileira, pois tomamos medidas para impedir a importação da variante sul-africana para este país, como de fato os franceses tomaram medidas para impedir a importação da variante Kent para a França: isso é o que os países fazem”, completou.





Essa Noticias Apareceu Primeiro em UOL Noticias

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